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Este blogue foi criado há alguns anos para divulgar a poesia e as artes plásticas dos verdadeiros artistas...Por vezes, coloquei alguns humildes trabalhos meus, mas vou deixar de o fazer, e em defesa da coerência criei um outro blogue, com características pessoais, o qual vos convido desde já a darem uma olhadela em:

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

William Faulkner - " A Luz em Agosto"


William Faulkner, prémio Nobel de Literatura em 1949. Nacional Book Awards em 1951 e em 1955. Venceu dois prémios Pulitzer, o primeiro em 1955 e o segundo em 1962.

O prazer de voltar a ler, “A Luz em Agosto” de William Faulkner.

Três pequenos excertos do livro:

(…) Nessa altura ele não compreendeu o que ela queria dizer com isso. Foi só posteriormente que o seu pensamento se iluminou outra vez, completo, como uma frase escrita: «Ela pensa que eu o trouxe para cá para a manter afastada. Ela julga que eu penso que com ele ali, ela não se atreverá a ir até à barraca; que será obrigada a deixar-me em paz.»
Assim ele interiorizou a sua convicção, o seu medo de que ela poderia fazer alguma coisa por ele lhe ter revelado aquilo. Ele supunha que, visto que ela tivera esse pensamento, a presença de Brown não a deteria, mas que até seria um incentivo para ir à barraca. Como já passara um mês sem que ela fizesse qualquer coisa, sem tomar qualquer iniciativa, ele acreditava que ela deveria estar prestes a entrar em acção. Agora, também ele ficava acordado durante a noite, mas pensando, «Tenho de fazer qualquer coisa. Hei-de fazer qualquer coisa.»(…)

(…) Ele vive ali sozinho. Ele veio para cá como pastor da igreja presbiteriana, mas a sua mulher enganou-o. Ela escapava-se de vez em quando para Memphis para passar uns bons bocados. Isto foi há cerca de vinte e cinco anos, ou seja, logo depois de ele ter vindo para aqui. Algumas pessoas dizem que ele sabia disso. Que ele próprio não podia satisfazê-la e que sabia do que ela andava a fazer. Então, num sábado à noite, ela foi assassinada, parece que dentro de uma casa, em Memphis. Os jornais não falaram de outra coisa.(…)

(…) Conforme se aproximavam da cozinha, caminhavam lado a lado. Quando a luz da cozinha se projectou sobre eles, o homem parou e virou-se, inclinando a sua cabeça inquiridor:
      - Andaste a lutar – disse. – De que se tratou?
      O rapaz não respondeu. A sua expressão era calma e composta. Passado um bocado, respondeu. A sua voz era tranquila, fria.
       - Nada.
      Ficaram parados.
      - Queres dizer que não podes contar ou que não tens vontade de contar?
      O rapaz não respondeu, mas não baixara o seu olhar. De facto, não olhava para nada.
      - Bem, se não sabes, então és um estúpido. E se não queres contar, então foste desonesto. Estiveste com uma mulher?
      - Não – respondeu o rapaz. O homem olhou para ele, e depois falou com um tom divertido na voz:
      - Nunca me mentiste, que eu saiba – olhou para o perfil calmo do rapaz.
      - Com quem andaste a brigar?
      - Contra mais do que um.
      - Ah – exclamou o homem. – Espero que os tenhas deixado marcados!
      - Não sei. Talvez.
      - Ah. Vai lavar-te. O jantar está pronto. (…)

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