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Este blogue foi criado há alguns anos para divulgar a poesia e as artes plásticas dos verdadeiros artistas...Por vezes, coloquei alguns humildes trabalhos meus, mas vou deixar de o fazer, e em defesa da coerência criei um outro blogue, com características pessoais, o qual vos convido desde já a darem uma olhadela em:

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Contavam-me os seus Amores











As prostitutas contavam-me os seus amores.
E o murmúrio das suas vozes roucas
formava ondas, belas cabeças monstruosas,
que, de encontro ao meu duro coração,
rebentavam,
espalhando pétalas de rosas pelo chão.

Chegavam aragens venenosas,
aromáticas e quentes,
e com elas,
com asas que elas emprestavam,
tigres, de fauce escancarada,
enrolados em colares de serpentes.

De encontro ao meu duro coração,
o que jamais seria um esquecido,
prateadas, gelavam as aragens
logo tornadas gotas de choro enternecido.
E as investidas dos répteis e das feras,
langues, se desfaziam
em corações, voos de aves inocentes,
aromas e canções de primaveras!

As prostitutas contavam-me os seus amores.
E as suas bocas, às gargalhadas ruidosas,
eram vulcões a desfazer-se em lava
que, de encontro ao meu duro coração,
se transformava
em correntes de bálsamo,
piedosas.

Logo o ruído secular,
de gritos e gemidos,
fragmentado em carne lacerada,
cancros de fogo, chagas e sangue ao meu olhar,
cessava...
para duma fugaz quietação dos meus ouvidos,
por momentos, eu ver,
nas margens do sem fim rio da vida,
monstros do sofrimento adormecidos...

Com a força das montanhas e dos mares,
soprando a morte e o nada em seus furores,
surgia o vento nu das regiões polares,
para compor, ante meus olhos deslumbrados
por certezas já ganhas a pavores,
sob luas de angústia, na amplidão,
a paisagem dos ninhos esmagados!

Mas de encontro ao meu duro coração,
todo o furor do vento serenava,
e o frio de ondas, gelos e rochedos,
breve em morno calor de vida se tornava.

As prostitutas findavam a história dos seus amores...

E aos poucos eu ouvia dos confins de trevas,
vindo do fogo inerte nas sementes,
puro, o rumor,
de longínquas existências,
crescendo lento em vagidos inocentes
até chegar às falas da razão do Amor.

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