Informação


Este blogue foi criado há alguns anos para divulgar a poesia e as artes plásticas dos verdadeiros artistas...Por vezes, coloquei alguns humildes trabalhos meus, mas vou deixar de o fazer, e em defesa da coerência criei um outro blogue, com características pessoais, o qual vos convido desde já a darem uma olhadela em:

sexta-feira, 2 de março de 2012

ensaio sobre a eternidade


sabes, mãe. os anos crescem desde a raiz do útero
até depois da morte. uma mulher grávida gera
um filho e pare a eternidade. as crianças
nascem como frutos que dão de comer à vida.
o que é a infância senão a alvorada da velhice?
se vedares o glúteo com uma amora, ela
começa a abrolhar das silvas de que és feita.
assim a argila esculpe a fragilidade. todos os
meses sangras a retardar o derradeiro espinho.
é quando nascem os filhos da anemia. por isso,
mãe. tenho de morrer para seres eterna. só te
peço uma urna branca onde eu possa escrever.
leva-me ao colo para dentro de um livro.


2 comentários:

  1. Muito Obrigada, é uma emoção especial ver um poema deste livro aqui publicado, bem-haja, Vasco Barreto.

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    1. Normalmente no meu blogue, salvo raras excepções, tudo o que publico advém de livros que adquiri( ou que me oferecem, como foi o seu caso),e sempre com poemas que gosto.Como vê, o prazer é meu,ou nosso, se assim o preferir. Obrigado, pelo comentário.

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