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Este blogue foi criado há alguns anos para divulgar a poesia e as artes plásticas dos verdadeiros artistas...Por vezes, coloquei alguns humildes trabalhos meus, mas vou deixar de o fazer, e em defesa da coerência criei um outro blogue, com características pessoais, o qual vos convido desde já a darem uma olhadela em:

terça-feira, 3 de abril de 2012

Quando me lembro de ti


Quando me lembro de ti
vejo uma paisagem ao longe.
Os montes e rios cheios de afluentes,
sem foz onde possam desaguar,
num caos facial a que me fui habituando.
Resistem com vida os olhos (verdes) que ainda cintilam…
Gastos, mas cheios de amor,
como quando olhavas para mim.

Há memória
dos dias passados no campo
a caçar. As brincadeiras, os cansaços,
a hora das refeições – sempre sagradas!...

Em casa, no quintal verdejante,
os dias eram uma azáfama.
As manhãs de volta dos animais e da passarada,
à tarde os arranjos.
Estávamos sempre a inventar!
E a latada de uva morangueira! – Lembras-te?
Os amigos passavam por lá, para beber um copo
e jogar uma suecada.

Ninguém tinha pressa, o tempo
estava sempre a nosso favor. O que não se conseguia
fazer hoje, deixava-se para outro dia qualquer.
Tudo tinha o seu momento propício.
Os dias passavam e nós sabíamos
que viriam muitos mais – o futuro
não nos incomodava.

Quando me lembro de ti
uma pomba branca aparece
e poisa, neste momento.
O Universo é a minha casa.
A felicidade salta-me do peito
e as águas correm por mim abaixo.
A palavra saudade vêm-me ao pensamento.
O peito sofre, de convulsões constantes.
A minha cara é como a tua, mas os rios
saltaram das margens e inundam tudo à volta.

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