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Este blogue foi criado há alguns anos para divulgar a poesia e as artes plásticas dos verdadeiros artistas...Por vezes, coloquei alguns humildes trabalhos meus, mas vou deixar de o fazer, e em defesa da coerência criei um outro blogue, com características pessoais, o qual vos convido desde já a darem uma olhadela em:

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Carne dos dias


Será preciso que a chávena trema na minha mão que
o café escoe na garganta que mais um pouco eu trema
sem ser vara sem estar verde. Pensar em ti.

O castanho do dia difícil coberto de pálpebras e de
pálpebras e de pálpebras.

Será o vento que parou de soprar.

Deixas rasto no meu peito durante horas. Dou com
cabelos teus colados, dias depois, à roupa do meu sor-
riso. Encontro nos vincos mais longínquos dos meus
dedos o cheiro parado do teu olhar tão móvel. Procu-
ro-te nas esquinas dos instantes que passam. Reconhe-
ço-te no vinco que a ternura deixa na carne do peito do
meu olhar, aquele que deito para longe, para outra es-
quina, de onde recebo mensagens de outro olhar igual-
mente teu, igualmente meu, reflectido na montra de
uma loja do nosso sono.

Deslizo. Deito-me sobre as lembranças. Olho para o
cheiro das resmas de papel amontoado sobre os anos
durante os quais esperar por ti era um desespero cons-
tante, estável, agudo.

Tu tens saias. Deslizas também.

Também te deitas sobre mim com as tuas resmas dos
teus anos durante os quais esperar era desespero era
constante era estável e agudo.

Sou feito de esquinas. Cada eu se esconde em cada
tu a cada uma. Arrependo-me. Grito ao mar de anóni-
mos que me cansam ainda que em vão por entre eles
te busquei, tu que nunca foste anónima.
O amor compassado e irregular como um signo.

E procuro-te sempre, na ausência da carne que os dias
me traçam sobre a pele.

E depois na presença eu
                    presença tu

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