Informação


Este blogue foi criado há alguns anos para divulgar a poesia e as artes plásticas dos verdadeiros artistas...Por vezes, coloquei alguns humildes trabalhos meus, mas vou deixar de o fazer, e em defesa da coerência criei um outro blogue, com características pessoais, o qual vos convido desde já a darem uma olhadela em:

domingo, 19 de agosto de 2012

A velha

Tinha olhos azuis
muito azuis,
acesos num lençol
de rugas
e

Não se sabe
porque mastigava os poemas
ou as gengivas.

Era uma velha,
como outra qualquer velha,
rilhando uma côdea seca de
poema,

andrajosamente
itinerando pela cidade.

Apenas não se sabe
porque...

domingo, 12 de agosto de 2012

Contributo para as Estatísticas

Em cem pessoas,

sabedoras de tudo melhor -
cinquenta e duas;

inseguras de cada passo -
quase todo o resto;

prontas para ajudar,
desde que não demore muito -
quarenta e nove;

sempre boas,
porque não conseguem de outra forma -
quatro, talvez cinco;

dispostas a admirar sem inveja -
dezoito;

constantemente receosas
de algo ou alguém -
setenta e sete;

aptas para a felicidade -
vinte e tal, quando muito;

individualmente inofensivas,
em grupo ameaçadoras -
mais de metade, com certeza;

cruéis,
por força das circunstâncias -
é melhor não sabê-lo,
nem aproximadamente;

com trancas na porta depois da casa roubada -
quase tantas como
aquelas que as têm, antes da casa roubada;

não levando nada da vida a não ser coisas -
quarenta,
embora preferisse estar enganada;

agachadas, doloridas
e sem lanterna no escuro -
oitenta e três,
mais tarde ou mais cedo;

dignas de compaixão -
noventa e nove;

mortais -
cem em cem.
Número, até agora, não sujeito a alterações.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Olhos Negros

Por teus olhos negros, negros,
Trago eu negro o coração,
De tanto pedir-lhe amores...
E eles a dizer que não.

E mais não quero outros olhos,
Negros, negros como são,
Que os azuis dão muita esp'rança,
Mas fiar-me eu neles, não.

Só negros, negros os quero;
Que, em lhes chegando a paixão,
Se um dia disserem sim...
Nunca mais dizem que não.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Lapso

Faltava qualquer coisa ao poema,
talvez um braço,
uma perna,
uma métrica,
algum afoitamento,
qualquer tipo de ousadia...

Faltava qualquer coisa ao poema.
O poema assim não ia!