Informação


Este blogue foi criado há alguns anos para divulgar a poesia e as artes plásticas dos verdadeiros artistas...Por vezes, coloquei alguns humildes trabalhos meus, mas vou deixar de o fazer, e em defesa da coerência criei um outro blogue, com características pessoais, o qual vos convido desde já a darem uma olhadela em:

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Sofia Ribeiro - Artista Plástica


Sofia Ribeiro é uma artista com uma inspiração visceral e uma dinâmica de realização tectónica. As suas obras refletem o lado mais oculto das sensações humanas. Talvez por isso, a presença constante da figura feminina. Por outro lado, vislumbra-se um movimento poético transversal em todo o seu trabalho, um movimento surrealista, que nos encaminha para a abstração, para o sonho. Uma personalidade forte, muito intimista, alguém que nos vai revelando aos poucos, um pouco de si mesma, sobretudo através da sua arte.
 
Fonte Magnética
 
Metáforas Poéticas

Portas do Infinito

Semblante de um País
 
                                                       Olhar Indiscreto

                                                       Inverso Rumo

                                                        Meias Palavras

                                                   Acústica da Voz

terça-feira, 23 de outubro de 2012

As Vozes

A infância vem
pé ante pé
sobe as escadas
e bate à porta

- Quem é?
- É a mãe morta
- São coisas passadas
- Não é ninguém

Tantas vozes fora de nós!
E se somos nós quem está lá fora
e bate à porta? E se nos fomos embora?
E se ficámos sós?

                                               Desenho de Vasco Barreto

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Estudos de William Beckman







Soneto à maneira de Camões

Esperança e desespero de alimento
Me servem neste dia em que te espero
E já não sei se quero ou se não quero
Tão longe de razões é meu tormento.

Mas como usar amor de entendimento?
Daquilo que te peço desespero
Ainda que mo dês - pois o que eu quero
Ninguém o dá senão por um momento.

Mas como és belo, amor, de não durares,
De ser tão breve e fundo o teu engano,
E de eu te possuir sem tu te dares.

Amor perfeito dado a um ser humano:
Também morre o florir de mil pomares
E se quebram as ondas no oceano.

                                                Esboço de Vasco Barreto

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Os Nomes de Família

Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante
o sono - a ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas da
morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí

nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que se movem como serpentes,mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me

depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. Não sabem

que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome - porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Amiga

Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor,
A mais triste de todas as mulheres.

Que só, de ti, me venha mágoa e dor
O que me importa a mim?! O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...

Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos
Os beijos que sonhei pra minha boca!...
                                          Esboço de Vasco Barreto

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Café

XI
(Começo a desmanchar a comédia do meu amor pelos pobres e humilhados.)

Insulto-me ao espelho.
                                     Covarde!
Tem ao menos coragem de gritar ao mundo
que te enojas da carne dos pobres
suja dos rasgões da noite,
sem pus de estrelas nas chagas
ou lírios na pele roxa.

Confessa que preferes ir para casa
inventar a dor que não dói
mas adormece de silêncio
com violinos de lágrimas
a angústia do teu coração
de lua deserta.

Eh! covarde!
Arranca essas lágrimas dos olhos
que trazes apenas para te enfeitarem de ternura.

E chora por ti
às escondidas
de qualquer maneira
- mesmo por dentro das gargalhadas.

                                 Esboço de Vasco Barreto

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Para Elvis Presley

Quando te conheci, já eras Pelvis,
já a maneira tomara de ti conta.
Lembras-te, naquele dia, em Pocahontas,
do dedal encontrado à entrada d'Elvis?

Um dedal tão pequeno como o olho
do cu, do curucu, da cucaracha.
Enquanto o México te chamava A Macha,
desunhavas-te em putos no restolho.

Andarias, aqui, debaixo de olho,
se não fora conhecer-te o influente
director do Costume e sua gente,
seus homens de mão e molho...

Instrumento de sopro, Elvis amigo,
um tempo foste a bomba arremessada
- a América tem as costas muito largas! -
contra a Boa Consciência e seus pascigos.

Por ti, por mim, por tudo,
por um Portugal membrudo,
eu, Elvis Pelvis, te saúdo,
te encomendo e ajudo!

                                      Esboço de Vasco Barreto

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Embriaguez

Quando apagas a luz
é ainda o mesmo tempo.
Se fechares e abrires os olhos
eu estarei lá, ainda
e tu sabes,
por trás da porta

(que fechas sempre em silêncio)

ou na sombra

(que deixas de ver porque a luz se finou)

sou ainda eu,
tu sabes
e, por isso, apagas a luz,
só nessa noite inventada
te sentes seguro em mim

(e fechas os olhos
pedindo à minha luz que te embriague

só mais esta noite).

                                            Esboço de Vasco Barreto