Informação


Este blogue foi criado há alguns anos para divulgar a poesia e as artes plásticas dos verdadeiros artistas...Por vezes, coloquei alguns humildes trabalhos meus, mas vou deixar de o fazer, e em defesa da coerência criei um outro blogue, com características pessoais, o qual vos convido desde já a darem uma olhadela em:

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

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Declaração

Teorias são brinquedos
Que, por mim, não tomo a sério.
Tomo a sério os meus enredos.
Crer... só sei crer no Mistério. ...
De doutrinas não me importo!
Sinto-me bem no mar alto.
Só me recolho ao meu porto.
Convidam-me, e sempre eu falto.
De escolas, não sou aluno.
Se comunico, é em verso.
Sou muito diverso,
E uno.


                                            Desenho: Vasco Barreto 

Poema das folhas secas de plátano

As folhas dos plátanos desprendem-se e lançam-se na aventura do espaço,
E os olhos de uma pobre criatura
comovidos as seguem.
São belas as folhas dos plátanos
quando caem, nas tardes de Novembro,
contra o fundo de um céu desgrenhado e sangrento.
Ondulam como os braços da preguiça
no indolente bocejo.
Sobem e descem, baloiçam-se e repousam,
traçam erres e esses, cicloides e volutas,
no espaço escrevem com o pecíolo breve,
numa caligrafia requintada,
o nome que se pensa,
e seguem e regressam,
dedilhando em compassos sonolentos
a musica outonal do entardecer.

São belas as folhas dos plátanos espalhadas no chão.
Eram verdes e lisas no apogeu
da sua juventude em clorofila,
mas agora, no outono de si mesmas,
o velho citoplasma, queimado e exausto pela luz do Sol,
deixou-se trespassar por afiados ácidos.
A verde clorofila, perdido o seu magnésio,
vestiu-se de burel,
de um tom que não é cor,
nem se sabe dizer que nome tenha,
a não ser o seu próprio,
folha seca de plátano.
A secura do Sol causticou-a de rugas,
um castanho mais denso acentuou-lhe os nervos,
e esta real e pobre criatura
vendo o solo coberto de folhas outonais
medita no malogro das coisas que a rodeiam:
dá-lhes o tom a ausência de magnésio;
os olhos, a beleza.

                                     Desenho: Vasco Barreto

sábado, 16 de novembro de 2013

As Palavras


As palavras, por vezes fazem a guerra.
As palavras, por vezes espetam-nos punhais.
Mas as palavras são só o corpo com que nos mostramos aos outros.
As palavras são códigos - não têm alma.
As palavras são a fome de ti, a ternura por ti, são tanta coisa. Sei lá.
Não tenho palavras.
As palavras só têm alma, nas palavras do poeta. Aí, sim.
Aí têm corpo e alma.
Têm vida!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

À Memória da Céu

Não preciso de menos que todos os meus amigos
mas dizem-me que a teus ouvidos já a voz não soa...
nem sabes já como neste mês de outubro
chega a ser agradável passear por lisboa

Não comes castanhas não sentes o frio
nem mais connosco te sentas à mesa
Qual é a tua nacionalidade
tu que antes eras portuguesa?

Cansaste-te e foste-te embora
não passarão por ti mais primaveras
fosses pra onde fosses foste decerto
para o país donde afinal eras

As coisas todas pouco mudaram
sabem-nos bem alguns bocados
e no entanto tudo mudou
já não nos sentimos por ti olhados

Falamos de ti no passado
como se tu estivesses morta
mas tu és tudo e tivesse eu casa
tu passarias à minha porta

Não preciso de menos que todos os meus amigos
não te vemos mas estás connosco
se não ao lado dentro de nós
no frio de março no calor de agosto

Nos dias de hoje ou nos tempos antigos
não preciso de menos que todos os meus amigos


                                    Desenho: Vasco Barreto