Informação


Este blogue foi criado há alguns anos para divulgar a poesia e as artes plásticas dos verdadeiros artistas...Por vezes, coloquei alguns humildes trabalhos meus, mas vou deixar de o fazer, e em defesa da coerência criei um outro blogue, com características pessoais, o qual vos convido desde já a darem uma olhadela em:

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

MEU MENINO, INO, INO

           1

Dos versos que exprimem,
Estou cansado!

Das palavras que explicam,
Estou cansado!

Dos gestos que explodem,
Estou cansado!

Ai, embala-me, fútil, e frágil, no ó-ó dos teus versos,
Ai, encosta-me ao peito...!

Mais não quero que ser embalado.

           2

O menino está doente...
 - Diz a mãe.

Qui-é qui-é
Que o menino tem?
Ai...!
Diz o pai.

A criada velha chora pelos cantos
E reza a todos os santos...

Afirma o senhor doutor
Que amanhã que está melhor.

O pai suspira:
- Quem sabe lá?!

E o menino diz:
- Papá...!

A mãe chora:
 - Quem já me dera amanhã!...

E o menino diz:
 - Mamã...!

E, com a febre, rezinga,
E choraminga,
Olhando a Lua amarela
Como uma vela:
 - Quero aquela péla...!

Mas o Pai do Céu sorri:
 - Vem cá vê-la!
É para ti.

        3

 - Acabaste?

 - Meu amor, acabei.

 - Apagaste a candeia? apagaste?

 - Meu amor, apaguei.

- E fechaste o postigo? e fechaste?

 - Meu amor..., sim, fechei.

 - Que rumor é aquele? não sentes?

 - Meu amor, que te importa?
 É a vida a dar socos na porta.
 É lá fora. são eles. É o mundo. São gentes...

 - São gentes? Quem são?

 - São colegas, amigos, parentes...

 - Vai dizer-lhes que não! Vai dizer-lhes que não!

Desenho: Vasco Barreto

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O coração, afinal

Porque espreitais, lágrimas?
Viciosas, importunas, tão furtivas e tão repetidas.
Lendo, pensando... solícitas, solícitas!

Que é que se chora?
Nada, nem se sabe.
O que não foi e podia ter sido...
O que foi sem ter sido...
O impreciso, tudo e nada, toda a vida!

Mas como caem elas?
Se passam dos olhos rolam de repente, redondas,
redondas, apressadas...
E logo esquecem.
Mal de esquecer, pior que o de lembrar.
Anular!

O coração, afinal, não é mais que um bocado de
terra ou de erva sempre a murchar e a rebentar.
E nessa fadiga, nessa lida, se gasta, se empobrece,
se inutiliza!

                                   Desenho: Vasco Barreto

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

ESPAÑA EN EL CORAZON

Preguntaréis: Y donde están las lilas?
Y la metafísica cubierta de amapolas?
Y la lluvia que a menudo golpeaba
sus palabras llenándolas
de agujeros y pájaros?

Os voy a contar todo lo que me pasa.

Yo vivía en un barrio
de Madrid, com campanas,
com relojes, com árboles.

Desde allí se veía
el rostro seco de Castilla
como un oceáno de cuero.

Mi casa era llamada
la casa de las flores, porque por todas partes
estallaban gerânios: era
una bella casa
com perros y chiquillos.
Raúl, te acuerdas?
Te acuerdas, Rafael?
Federico, te acuerdas
debajo de la tierra,
te acuerdas de mi casa com balcones en donde
la luz de junio ahogaba flores en tu boca?

Hermano, hermano!
Todo
era grandes voces, sal de mercaderías,
aglomeraciones de pan palpitante,
mercados de mi barrio de Arguelles com su estatua
como un tintero pálido entre las merluzas:
el aceite llegaba a las cucharas,
un profundo latido
de pies y manos llenaba las calles,
metros, litros, esencia
aguda de la vida,
pescados hacinados,
contextura de techos com sol frío en el cual
la flecha se fatiga,
delirante marfil fino de las patatas,
tomates repetidos hasta el mar.

Y una mañana todo estaba ardiendo
y una mañana las hogueras
salían de la tierra
devorando seres,
y desde entonces fuego,
pólvora desde entonces,
y desde entonces sangre.

Bandidos com aviones y com moros,
bandidos com sortijas y duquesas,
bandidos com frailes negros bendiciendo
venían por el cielo a matar niños,
y por las calles la sangre de los niños
corría simplemente, como sangre de niños.

chacales que el chacal rechazaría,
piedras que el cardo seco morderia escupiendo,
víboras que las víboras odiaran!
Frente a vosotros he visto la sangre
de España levantarse
para ahogaros en una sola ola
de orgulho y de cuchillos!

Generales
traidores:
mirad mi casa muerta,
mirad España rota:
pero de cada casa muerta sale metal ardiendo
en vez de flores,
pero de cada hueco de España
sale España,
pero de cada niño muerto sale un fusil com ojos,
pero de cada crimen nacem balas
que os hallarán un día el sitio
del corazón.

Preguntaréis por qué su poesia
no nos habla del sueño, de las hojas,
de los grandes volcanes de su país natal?
Venid a ver la sangre por las calles,
venid a ver
la sangre por las calles,
venid a ver la sangre
por las calles!

                             Desenho a tinta-da china: Vasco Barreto

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