Informação


Este blogue foi criado há alguns anos para divulgar a poesia e as artes plásticas dos verdadeiros artistas...Por vezes, coloquei alguns humildes trabalhos meus, mas vou deixar de o fazer, e em defesa da coerência criei um outro blogue, com características pessoais, o qual vos convido desde já a darem uma olhadela em:

sábado, 28 de fevereiro de 2015

VEM COMIGO

Vem comigo. Eu ensino-te a ver o interior das
pedras. Fecha os olhos. Tacteia o fuste. Sente a fria
lisura na palma da tua mão. Abraça a coluna até...
onde chegar a vontade dos teus braços. Encosta o
ouvido como se faz a um búzio. Podes até pensar
que tens um corpo vivo ali ao teu dispor. Escuta o
bater do teu coração. Há muito o não ouvias, eu sei.
É preciso sonhar com o interior das pedras para
ouvir o relógio da vida. Aquieta-te. Não desvies o teu
pensamento do coração da pedra. Bate como o teu,
não é? Já não está fria a pedra. Podia bem ser um
corpo vivo. Há agora água dentro dos teus olhos.
Não tarda molhará a pedra e chorarão as duas. Não
mais dirás que és diferente da pedra. Depois farás o
mesmo com a árvore. Não mais dirás então que tu e
a árvore são diferentes. Farás o mesmo com uma
estrela quando ela cruzar o teu caminho.
Saberás que és igual à estrela. Estarás então pronta
para conhecer e amar o coração dos homens.


Ilustração: Vasco Barreto.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Enviados fomos como ovelhas

Enviados fomos como ovelhas
Para o meio dos lobos.

Ofertada nos foi a lã
O leite, o pus.
E as mil lágrimas
Das manhãs de Inverno.

Livre ar
Livre arbítrio
Livrança em mata aberta
A dor calada na ponta dos dedos
E a memória
A passear incerta.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Mário Viegas - Arte Digital

                                          Feito por: Vasco Barreto

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

sábado, 21 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

DEFESA

Guarda a manhã como uma rosa,...
Molha-a, que a noite vem aí.
Dorme tu nos espinhos; goza
O que é próprio de ti.


Não dês flores a ninguém
Que a tua mão lhe corte,
E, se puderes,
Leva as mais que puderes à tua morte
Em coroa que te fique bem.

Não gastes o jardim puro
De que tu mesmo és terra:
A tua vida, muro,
Teu coração a encerra.

Rosas façam de sangue os que as desejam;
Cada um se floresça:
As tuas mãos não se vejam
Quando a roseira cresça.

Abre ao lume doído
Os botõezinhos novos.
No ninho despido,
Ave, os teus ovos.

Ao frio e ao escuro cria
Larvas de luz compostas
Do que deita alegria
Sobre as coisas que gostas.

Mas rosas dadas, não:
Nem que tu fosses flores
E raiz teu destino
Engrossado no chão.
As tuas flores
São do menino
Que sempre foste. Não!

                                        Desenho a lápis: Vasco Barreto.