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Este blogue foi criado há alguns anos para divulgar a poesia e as artes plásticas dos verdadeiros artistas...Por vezes, coloquei alguns humildes trabalhos meus, mas vou deixar de o fazer, e em defesa da coerência criei um outro blogue, com características pessoais, o qual vos convido desde já a darem uma olhadela em:

quinta-feira, 23 de julho de 2015

SENHOR PESSOA, CHEGÁMOS A CASCAIS

O senhor esguio, bem posto, de olhar ausente
atrás das lentes que vigiam o mundo
tem tantos nomes quantos...
os que um homem pode ter para se perder
naquilo que não pode ser. Rima imperfeita,
inacabada para falar do poeta
que viaja imóvel entre o cais de partir
e o de nunca chegar, contando gaivotas,
decifrando a cabala das nuvens
entre o Cais do Sodré e Cascais,
onde vai pagar uma contribuição
do patrão Vasques, de uma casa
que tem no Estoril. Chegámos, Senhor Pessoa,
já não há mais estações depois desta.
Qual das pessoas que tem Pessoa
acorda para responder ao revisor?
Uma hora para cá, outra para lá,
medindo com os olhos baços, turvos,
esquivos, a dolência atlântica, enganadora,
destas ondas encapeladas
pelo impulso do vento que vem do sul
quando o Outono dá o timbre
à melancolia da voz. Chegámos,
Senhor Pessoa, o mundo acaba aqui,
onde o mundo começa e não tem fim.
Sim, sim a Casa dos Condes de Castro
Guimarães é mais para cima,
para as bandas da Cidadela,
ali onde há magalas e homens tristes.


José Jorge Letria in poesia escolhida
Trabalho de colagem e pintura digital: Indio San

 

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